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Quatro Rodas

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Quatro Rodas" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

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Monza 2.0 EFI: o carro na era ecológica

(Edição nº 371, junho de 1991)

 

O bico injetor

Novo motor: só a aparência é a mesma

Carro e ecologia podem conviver pacificamente? Podem _e devem. O novo Monza SL/E 2.0, que chega ao mercado em setembro, é um exemplo disso. Como QUATRO RODAS antecipou, a GM está lançando a versão EFI (de Eletronic Fuel Injection) dentro das normas antipoluição que passam a vigorar no país em 1992. Se essa notícia já é boa nesses tempos de crescimento da consciência ecológica, melhor ainda foram os números aícançados por esse Monza na pista.

O "Monza SL/E ecológico" ganhou do modelo anterior (equipado com carburador) em quase todos os itens de desempenho. Atingiu velocidade máxima de 167,9 km/h (contra os antigos 158,1 krn/h) e acelerou de 0 a 100 km/h em 11s72 (contra 13s09 anteriormente). Somente nas provas de retomada de velocidade, a versão carburada mostrou uma pequena vantagem: o atual, com sistema de injeção, foi de 40 a 100 km/h em 27s37, enquanto o anterior cumpria a mesma tarefa em 26s85. No consumo, os números pouco variaram, mas o modelo com injeção ficou em ligeira desvantagem _média de 10,51 km/l contra 10,65 km/l de gasolina.

Aerodinâmica: trabalhando pela economia

Acelerar o Monza EFi é um prazer. As respostas vêm sempre rápidas, sem as vacilações típicas dos carros com carburador. O desempenho lembra bastante o dos carros com motor 2.0 a álcool, muito superior ao 2.0 carburado a gasolina. Não é demais lembrar que os resultados seriam desfavoráveis ao "Monza ecológico" se, no lugar da injeção, ele usasse carburador com catalisador _solução a ser adotada pela Volkswagen e Ford para seus automóveis. Com o lançamento de todos os Monza e tambêm dos Kadett equipados com injeção eletrônica single point, a GM larga na frente das concorrentes na adaptação de seus carros à segunda fase do Programa de Controle de Emissôes Veiculares, o Proconve, que passa a vigorar em 1º de janeiro de 1992. Esse novo sistema de alimentação dos carros da GM (que estará presente também na linha Fiat 92) é até mais avançado que os atuais _usados no Gol GTi, no Santana GLS 2000i e no próprio Monza Classic MPFi, apesar de todos esses contarem com o sistema multi point. O sistema que equipará os Monza e os Kadett da linha 92 é digital e acopla, num único comando, um chip de memória para a alimentação e ignição. Ele ordena simultaneamente a melhor proporção de mistura e o momento exato para que a faísca salte das velas para o interior das câmaras de combustão. Nos sistemas atuais, a injeção é controlada por um programa limitado em relação ao digital, funcionando independentemente do conjunto da ignição.

A versão 2.0 EFI: avanço em nome da ecologia

Em aparência, o novo motor do Monza lembra o anterior. Atê o filtro de ar é semelhante _apenas com a inscrição "Fuel Intection 2.0 OHC". Mas as aparências enganam. Graças à tecnologia da injeção single point, esse motor descarrega menos poluentes na atmosfera que o antigo, equipado com carburador. Além disso, a potência subiu de 99 cv para 110 cv, com um ganho de 0,4 mkgf no torque (de 16,2 para 16,6) a 3.200 giros. No Monza carburado, o torque máximo era atingido com o motor a 3.500 rpm. Traduzindo tudo isso para o dia-a-dia: o carro funciona mais suavemente mesmo em baixa rotação, exigindo menos peso no pedal do acelerador. A utilização de apenas um bico injetor, em vez de bicos independentes para cada um dos cilindros, reforça a aparência do sistema com a de um carburador convencional. A diferença está no funcionamento. Enquanto o carburador tem válvulas, giclês etc., a injeção single point tem apenas um injetor onde estaria instalado o misturador do carburador, cumprindo a mesma função de pulverizar o combustível.

Os avanços do motor não param aí. As câmaras de combustão têm novo desenho, a taxa de compressão subiu de 8,8:1 para 9,2:1, a abertura do comando para as válvulas tem maior duração, o coletor de admissão melhorou a distribuição da mistura ar-combustível para os cilindros e um aquecedor elétrico proporciona a temperatura ideal para a mistura com o motor a frio.

Luzes extras no painel

Todas as alterações mecânicas efetuadas no Monza 92 visam sua adaptação à lei antipoluição. Por dentro, é praticamente o mesmo Monza que roda por aí. A nova injeção é identificada no painel somente por duas pequenas luzes colocadas junto com as demais lâmpadas-espia. Uma das luzes indica pane no conjunto de injeção ou de ignição _e, nesse caso, a checagem deverá ser feita numa revenda autorizada, com aparelhos eletrônicos desenvolvidos especialmente para isso. A outra luz auxilia o motorista na economia de combustível, indicando o momento ideal da troca de marcha. A adaptação à ecologia dos carros que circulam no país _sejam eles nacionais ou importados_ está sendo feita de forma lenta e gradual. Os automóveis modelo 91 não precisam corresponder às exigências da segunda fase do Proconve. O programa só vai se completar em 1997, quando os níveis de emissão de poluentes finalmente estarão no mesmo nível, por exemplo, daqueles praticados nos Estados Unidos. Mas, ainda assim, as boas soluções encontradas no Monza EFI abrem um panorama animador para os brasileiros. Afinal, mostra que o país está no caminho certo da consciência ecológica, com leis severas e abrangentes. E, nesse cenário, os automóveis e seus proprietários têm um importante papel a cumprir.

Como funciona o sistema

O sistema

Lançada pela primeira vez num carro de série, no Mercedes-Benz 300 SL, em 1954, a injeção de combustível não parou de evoluir. Mas o grande salto foi dado mesmo nos anos 70, com a eletronização do sistema. Todas as funções controladas mecanicamente passaram a ser feitas através de sensores. Alimentado com todas as informações necessárias para um perfeito funcionamento do motor, o módulo de comando faz a dosagem exata da quantidade de combustível que deve ser consumida a cada instante.

Esse sistema single point adotado pelos Monza e Kadett da linha 92 é o mais moderno em produção no país atualmente. O módulo de controle eletrônico recebe mensagens externas do motor (temperatura da água, posição da borboleta da admissão, pressão no coletor, voltagem da bateria, sistema de ignição... enfim, diagnósticos de cada item onde exista um sensor) e também do veículo (momento de partida e velocidade). Além disso, interpreta esses dados em milésimos de segundo, emitindo informações para o injetor e para o sistema de ignição.

Do módulo de comando eletrônico partem também outras decisões tomadas pelo comando, com base nos dados recebidos: liga-desliga a bomba de combustível, adverte sobre anomalias no veículo, indica o melhor momento para as trocas de marcha, liga-desliga o ventilador de arrefecimento e controla o ar-condicionado (desligando-o toda vez que o carro inicia uma ultrapassagem, para voltar a ligá-lo 5 segundos depois). Outra novidade é que a injeção single point pode ser usada também nos carros movidos a álcool. Isso exigiu um completo desenvolvimento do chip de memória _e, principalmente, de materiais que resistem à ação corrosiva do álcool. Não há como negar que a vida do antigo carburador está por um fio.

Ficha técnica

O motor desmontado

Motor: gasolina, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, comando de válvulas no cabeçote; alimentação por injeção eletrônica tipo single point. Diâmetro x curso: 86,00 x 86,00 mm. Cilindrada total: 1.998 cm3. Taxa de compressão: 9,2:1. Potência máxima: 110 cv (81 kW) a 5.600 rpm. Torque máximo: 16,6 mkgf (163 Nm) a 3.200 rpm. Câmbio: mecânico, traça dianteira, cinco marchas com a seguinte relação: 1ª) 3,55:1; 2ª) 1,95:1; 3ª) 1,28:1; 4ª) 0,89:1; 5ª) 0,71:1; ré) 3,33:1; diferencial: 4,19:1. Carroceria: três volumes, quatro portas, cinco passageiros. Dimensões externas: comprimento, 449,3; largura, 166,8 cm; altura, 134,6 cm (13,8 cm do solo); distância entre eixos, 257,4 cm; bitolas dianteira e traseira, 140,6 cm. Suspensão: dianteira: independente, McPherson, com braços inferiores triangulares, molas helicoidais, amortecedores e barra estabilizadora. Traseira: semi-independente, com eixo de torção, molas helicoidais, amortecedores e barra estabilizadora. Freios: a disco ventilado nas rodas dianteiras e tambor nas traseiras, com servo. Direção: hidráulica progressiva. Diâmetro do volante: 38 cm. Diâmetros de giro: 10,20 m para a esquerda e a direita. Rodas: aro 13 x tala de 5,5 polegadas. Pneus: 185/70 SR 13 (Pirelli P44 no carro testado). Capacidade do tanque: 57 litros. Capacidade do porta-malas: 407 litros. Capacidade total de carga: 475 kg. Peso do carro testado: 1.120 kg. Equipamentos: de série: coluna de direção regulável, vidros vedres, vidro térmico traseiro e injeção eletrônica; opcionais: alarme antifurto, antena elétrica, ar quente, ar-condicionado, câmbio automático, direção hidráulica, retrovisores com controle elétrico, toca-fitas antifurto, trava elétrica das portas e vidros elétricos.

Os números do teste

.Consumo a velocidade constante (km/l)

Velocidade indicada (km/h) Antes Agora
80 14,53 14,55
100 12,78 12,44
120 9,36 10,44

Consumo médio (km/l)

  Antes Agora
Na cidade 8,15 8,48
Na estrada, a 100 km/h reais, carregado 12,96 12,26
Na estrada, a 100 km/h reais, vazio 13,34 12,81

.Aceleração (tempo em segundos)

Var. velocidade real (km/h) Antes Agora
..........................0   -  80 8,58 7,64
0   -  100 13,09 11,72
0   -  120 19,62 16,94
0   -  140 18,56 17,95

Distância percorrida (metros)

 

Antes

Agora

...................0 - 400 m

18,56

17,95

0 - 1000 m

34,80

33,46

Retomada de velocidade (tempo em segundos)

Var. velocidade real (km/h)

Marcha usada

Antes

Agora

..................40 - 80

16,98 18,52

...............40 - 100

26,85 27,37

...............40 - 120

35,75 36,43

40 - 1.000 m

41,23 41,86

Velocidade máxima na pista de testes (km/h reais)

Antes Agora
158,1 167,9

Frenagem (tempo em segundos)

Var. velocidade real (km/h)

Antes

Agora

...........................40 - 0

6,9 7,2

...........................60 - 0

15,4 16,2

...........................80 - 0

27,4 28,8

100 - 0

42,8 45,0

120 - 0

61,6 64,7

Nível de ruído - dB (A)

Velocidade real (km/h) Marcha usada Antes Agora
0 ponto morto 46,1 50,7
80 64,1 65,1
100 68,2 68,7
120 71,7 71,6

Rolamento (metros percorridos em ponto morto)

  Antes Agora
100 km/h ------------- 40 km/h 1.073,0 m 1.052,1 m

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