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A
reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Quatro Rodas" para
publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando
na imagem ao lado. |
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A metamorfose do
Monza |
(Edição nº 367,
fevereiro de 1991) |
O Monza não é mais o mesmo. Quem o
viu no último Salão do Automóvel notou que, com a radical reforma estética, ele ficou
irreconhecível. Agora, ao ser lançado no mercado, testamos sua versão de topo, o
Classic (sem o opcional da injeção eletrônica), e constatamos também mudanças de
comportamento. Para atender à nova fase da legislação antipoluentes, o desempenho ficou
um pouco contido. Em compensação, o carro melhorou o consumo e as alterações feitas em
pneus e suspensão o tornaram mais estável e seguro.
A completa mudança
da frente foi feita segundo o padrão curvo e rebaixado dos atuais modelos Opel alemães e
que é também o padrão do Kadett. Com isso _que exigiu um radiador menor e mais baixo,
todo de alumínio_, a frente ficou comprida (cresceu 8,5 cm) e afilada, dando a impressão
de que há espaço demais entre a roda e o pára-choque. Tememos que a transposição das numerosas lombadas e
irregularidades de nossas estradas exija muito cuidado para que a frente não bata no
chão.
A visão frontal do
carro _com discreta grade de duas barras horizontais, faróis baixos e pára-choque
arredondado_ realmente corrresponde à lihha Opel, em particular ao modelo Omega _e não
ao Vectra, que na Europa substitui o Ascona, equivalente ao antigo Monza. Até o logotipo
Chevrolet foi discretamente contido, como o da Opel, numa placa redonda preta e prateada.
Já a lateral se manteve praticamente a mesma, só com a faixa plástica mais estreita. E
com antiguidades, como a calha que emoldura os vidros e a saída de ar da coluna traseira,
contrastando com a frente modernizada. A traseira manteve o mesmo formato, mas mudou muito
na aparência, devido a duas alterações básicas: as lanternas verticais de formato
curvo e a abertura do porta-malas, agora colocada embaixo, na linha do pára-choque _o que
aurnenta a abertura do compartimento, permitindo a entrada de objetos maiores, e facilita
a colocação de bagagem volumosa e pesada. Por dentro, novo desenho do revestimento das
portas e do teto e novo volante _mais moderno e encorpado, o que melhorou sua empunhadura.
E um aparelho de som bem mais atual, com visor de cristal líquido e código de segurança
antifurto. Como a cabina é a mesma, contudo, o espaço traseiro continua apertado para um
carro de topo de linha. O novo modelo teve também a suspensão adaptada para o uso de
pneus série 65 com aro de 14 polegadas (no lugar dos série 70 com aro 13 do modelo
anterior). E vem equipado com bateria de nova geração, que dispensa a colocação
periódica de água e, segundo a GM, dá maior potência para a partida e dura mais.
Essas mudanças menos aparentes se mostram positivas. Mas a reforma estética é o que
impressiona. Com a frente do Opel Omega (que é 20 cm mais longo), a lateral do modelo
antigo e a traseira reformada (também diferente dos modelos Opel), o novo Monza perde a
harmonia (ultrapassada, é verdade) de seu antecessor. Pode ser que o choque inicial dessa
mistura torne difícil captar a nova personalidade estética do Monza. E uma questão a
que só o tempo e a receptividade do público poderão responder. Nosso teste permitiu,
contudo, captar alterações de comportamento. Com máxima de 158,1 km/h e aceleração de
0 a 100 km/h em 13,09 segundos, é um dos Monza de menor desempenho que já testamos. O fato de ser movido a gasolina nao explica tudo _as marcas do último Classic que testamos
(em julho de 1990) eram melhores e o incremento aerodinâmico dado pela nova frente
(consta que o coeficiente de penetração baixou de 0,39 para
0,34) deveria favorecer o desempenho. Ocorre que este ano entraram em vigor novos limites de emissão de
poluentes para veículos novos. Isso obriga as fábricas a fazer certas alteraçôes (na
carburação, por exemplo) que podem acabar amarrando um pouco o motor.
Uma boa
consequência disso é a melhoria do consurno. Com exceção da série especial 500 EF com
injeção eletrônica (ausente no modelo testado, mas que pode vir como opcional), este é
o Monza rnais econômico dos que temos testado, chegando aos 13,34 km/l na estrada. Na
versão com injeção, que deveremos testar proximamente, tanto desempenho como consumo
tendem a alcançar níveis bem melhores. O nível de ruído, em troca, se manteve inalterado _mas outra mudança positiva se refletiu na estabilidade. Os novos pneus,
de perfil mais baixo, reforçam o contato do carro com o piso, como notamos nas curvas
inclinadas da pista de provas. E, com a adaptação feita na suspensão para o uso dos
novos pneus, a rodagem continua macia.
Além de tudo, essas
mudanças serviram para minorar a maciez da direção hidráulica. Ela continua sem a
progressividade necessária para ficar firme em alta velocidade. Mas, como a aderência
aumentou, sente-se mais o contato do carro com o piso, o que acaba melhorando a relação
direção/solo, de modo que o motorista dirige com mais segurança. Assim, na renovação
dos modelos nacionais de topo de linha, o Monza sai na frente com seus novos atributos
estéticos, de baixo consumo e mais segurança.
Inspirado no Opel Omega
A princípio, acreditou-se
que a remodelação estética do Monza iria inspirar-se em seu substituto alemão, o mais
espaçoso Opel Vectra, lançado em 1988. Contudo, embora a frente de todos os Opel se
pareça muito, o modelo seguido foi o Omega (foto), de 1986, que divide com o Senator o
chassi maior dos Opel de topo de linha. Assim, o Omega é 20 cm mais comprido que o novo
Monza (ou 32 cm mais que o antigo), e ainda 10 cm mais largo e 4 cm mais alto.
Ficha técnica
Motor: gasolina, dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, comando
de válvulas no cabeçote, alimentação por carburador de corpo duplo. Diâmetro x curso: 86,0 x 86,0 mm.
Cilindrada: 1.998 cm3. Taxa de compressão: 8,8:1. Potência: 99 cv ABNT
a 5.600 rpm. Torque: 16,2 mkgf (159 Nm) a 3.500 rom. Câmbio: mecânico, tração dianteira, cinco marchas, com a seguinte relação: 1ª) 3,55:1; 2ª)
1,95:1; 3ª) 1,28:1; 4ª) 0,89:1; 5ª) 0,71:1; ré) 3,33:1; diferencial) 4,19:1. Carroceria: três volumes, quatro
portas, cinco passageiros. Dimensões externas: 449,3 cm de comprimento; 166,8 cm de largura; 134,6 cm de
altura; 257,4 cm entre eixos; 140,6 cm de bitola dianteira e traseira. Tanque de combustível: 571
litros. Porta-malas: 407 litros. Carga total: 475 kg. Peso máximo
rebocável: 1.000 kg. Peso do carro testado: 1.130 kg. Suspensão: dianteira: independente, tipo McPherson, braços inferiores triangulares, malas helicoidais e barra
estabilizadora; traseira: semi-independente, com eixo de torção, molas helicoidais e
barra estabilizadora. Freios: disco ventilado na dianteira e tambor na traseira, com servo. Direção: hidráulica, volante de 38 cm de diâmetro, 10,20 m tanto para a
direita quanto para a esquerda. Rodas e pneus: rodas aro 14 x tala de 5,5
polegadas; pneus 185/65 R 14. Equipamentos: de série: rodas de liga leve, vidros elétricos, vidros verdes,
vidro térmico traseiro, direção hidráulica, faróis de milha e ar-condicionado;
opcionais: revestimento dos bancos em couro, câmbio automático, pintura perolizada e injeção eletrônica.
Os números do teste
Consumo a velocidade
constante (km/l)
Velocidade
indicada (km/h) |
Marcha usada |
Consumo
(km/l) |
| 80 |
5ª |
14,53 |
| 100 |
5ª |
12,78 |
| 120 |
5ª |
9,36 |
Consumo médio
(km/l)
Na cidade |
8,15 |
Na estrada (carregado) a 100 km/h |
12,96 |
Na estrada (vazio) a 100 km/h |
13,34 |
Aceleração
(tempo em segundos)
| Var. velocidade
real (km/h) |
Tempo (s) |
...........................0 - 80 |
8,58 |
| 0 - 100 |
13,09 |
| 0 - 120 |
19,62 |
Distância
percorrida (metros)
| |
Tempo (s) |
| 0 - 400 m |
18,56 |
| 0 - 1000 m |
34,80 |
Retomada de
velocidade (tempo em segundos)
Var.
velocidade real (km/h) |
Marcha
usada |
Tempo (s) |
| ..................40 - 80 |
5ª |
16,98 |
| ..................40
- 100 |
5ª |
26,85 |
| ..................40
- 120 |
5ª |
35,75 |
40
- 1.000 m |
5ª |
41,23 |
Velocidade
máxima na pista de testes (km/h reais)
Espaço de frenagem
(metros)
| Var.
velocidade real (km/h) |
Distância (m) |
| ...........................40 - 0 |
6,9 |
| ...........................60 - 0 |
15,4 |
| ...........................80 - 0 |
27,4 |
100 - 0 |
42,8 |
120 - 0 |
61,6 |
Nível de ruído
- dB (A)
| Velocidade real
(km/h) |
Marcha usada |
dB (A) |
| 0 |
ponto morto |
46,1 |
| 80 |
5ª |
64,1 |
| 100 |
5ª |
68,2 |
| 120 |
5ª |
71,7 |
Rolamento (metros
percorridos em ponto morto)
| 100 km/h -------------
40 km/h |
1.073,0 m |
