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reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Quatro Rodas" para
publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando
na imagem ao lado. |
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Monza Classic 500
E.F. |
(Edição nº 355,
fevereiro de 1990) |
O sistema de injeção eletrônica
dá ao Monza a solidez e o conforto dos carros de alta classe.
Que ninguém espere um desempenho
excepcional do novo Monza com injeção eletrônica, como o obtido pelo Gol GTi e pelo
Santana Executivo. A intenção do fabricante não foi essa, mas sim a de proporcionar
comportamento mais regular e silencioso, itens indispensáveis a um carro luxuoso. Em
termos de desempenho. o carro é limitado por dois fatores: consome gasolina (por isso usa
taxa de compressão baixa) e tem câmbio longo. Enquanto o Gol GTi e o Santana Executivo
usam relações de câmbio mais curtas, para melhorar o desempenho, o novo Monza conserva
o mesmo câmbio longo dos Monza comuns.
O Monza Classic 500 E.F. tem
apenas 6 cv a mais do que na versão a álcool sem injeção eletrônica. Ao compará-los,
esses 5% a mais quase não aparecem, em consequência, sobretudo, do elevado peso do
carro: 1.150 kg. Dirigindo o 500 E.F. percebe-se logo o principal motivo da opção pelo
câmbio longo: o nível de ruído no interior do carro é agradavelmente baixo, o que
permite curtir com prazer o som do ótimo rádio toca-fitas
AC Delco SCC Head (o primeiro rádio de carro nacional de série que pode ser removido do painel, bastando para isso
apertar um botão e puxar uma alça). Outra vantagem do câmbio longo é que com ele o
motor funciona em rotações mais baixas. Isso, juntamente com o sistema eletrônico de
injeção, que ajusta a cada instante a dosagem de combustível e o momento da faísca
para cada cilindro, reduz os riscos de quebra do motor, aumentando a sua sobrevida. Outra
coisa que contribui para a redução dos riscos de quebra do motor é a taxa de
compressão utilizada. Enquanto a do Gol GTi e do Santana Executivo é 10,0:1, a do Monza
é de apenas 8,8:1, exatamente a mesma do modelo a gasolina com carburador.
Para essa taxa de
compressão reduzida, a injeção eletrônica (marca Bosch LE-Jetronic) não precisa ter,
como nos carros da VW, um sensor de detonação. A injeção desse Monza tem apenas os
sensores de densidade do ar (para medir a pressão atmosférica) e temperatura do ar
ambiente. E com base nessas informações que o seu módulo de controle eletrônico deduz
a quantidade de combustível a ser injetada em cada cilindro a cada instante. A injeção
eletrônica permitiu também a utilização de um comando de válvulas que obtém a
potência máxima _de 116 cv a 5.400 rpm_ 200 rpm antes. Isso, de certo modo, também
ajuda a preservar a vida do motor. Equipado com injeção eletrônica, o Monza deverá
fazer, em nossa pista de provas de Limeira, aproximadamente, 168 km/h e ir de 0 a 100
krn/h em 10,8 segundos (esperemos o teste para conferir). A idéia do departamento de
marketing da GM, com esse Monza comportado, não é certamente conquistar o comprador de
carros esportivos. Para esse público já existe um produto, o Kadett GS, que em breve
também terá uma versão GSi (i de injeção eletrônica). O Monza 500 E.F. foi projetado visando o comprador de meia idade, que goste
de inovações e de associar luxo e conforto a uma aparência ligeiramente esportiva. A associação do carro a Emerson Fittipaldi
(a sigla 500 E.F. alude às 500 Milhas de Indianápolis, vencidas por Emerson) indica
claramente os objetivos de marketing: a GM quer associar o 500 E.F. não ao Emerson
corredor, mas sim ao Emerson vitorioso na vida. Daí a fábrica não utilizar, como no GTi
e no Santana Executivo, pneus série 60, mais duros, nas rodas do 500 E.F. A GM optou
pelos pneus 185/70 SR 13 (no carro que experimentamos eram
Pirelli P44), mais macios e confortáveis. Além da injeção eletrônica, o Classic 500 E.F. tem, como itens
exclusivos, um aerofólío traseiro de design delicado e de bom gosto, pintado na cor do
carro, o logotipo 500 E.F. gravado em adesivo plástico nas cores verde e cinza nas
laterais, o logotipo Monza i aplicado em plástico e alto relevo na traseira e a
inscrição 500 E.F. no volante de direção. Tem também bancos revestidos de couro
preto, e tapetes com o logo 500 E.F. colocados sobre o carpete.
A GM optou por não
vender o carro com opcionais. Todos os equipamentos serão de serie. Assim ele vem, entre
outras coisas, com: ar-condicionado; vidros verdes; fechadura do porta-malas com controle
remoto; luz de neblina traseira, acoplada à lanterna; bolsa elástica atrás dos bancos
dianteiros; alarme; computador de bordo com 7 funções: consumo instantâneo, consumo
médio, cronômetro, temperatura do ar extemo, relógio, velocidade média e autonomia.
Na verdade, o Monza
500 E.F. tem um só opcional, a pintura perolizada que é cobrada à parte. Porém, é um
opcional compulsório, pois só há duas cores à escolha do comprador: preto ou vermelho,
ambas perolizadas. O propósito inicial da GM é que o Classic 500 E.F. seja uma versão
especial do Classic, da qual serão inicialmente produzidas 5.000 unidades. Um carro para
poucos eleitos, enfim: no início de fevereiro, seu preço estava fixado em NCz$ 770
000,00 _ou US$ 22.000.
Inovação cara
O primeiro carro
brasileiro a vir com injeção eletrônica foi o Gol GTi, lançado em janeiro de 1989. De
lá para cá já foram vendidos cerca de 2.000 GTi. Mas a VW enfrentou de início muitos
problemas com a injeção no Brasil. Inclusive o GTi de nosso teste de 50.000 km deu
muitos problemas. A maioria deles, segundo a fábrica, relativos ao tipo de vela de
ignição anteriormente usada. As velas foram trocadas por outras, com menos resistividade
elétrica, e os problemas diminuíram. Agora a VW está lançando o Santana Executivo, com
a mesma mecânica do GTi, e a GM lança o seu 500 E.F. Dessa maneira a injeção
eletrônica vai chegando ao Brasil dentro dos carros mais luxuosos. Isso tem uma
explicação: a injeção é um equipamento caro. Por isso é melhor diluir o seu custo em
automóveis que custem muito dinheiro. Neles a porcentagem do preço da injeção fica
menor.
