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A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Quatro Rodas" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado. |
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Monza S/R 2.0: o mais atrevido dos Monzas |
(Edição nº 321, abril de 1987) |
Um encurtamento do câmbio, e nada muito além. Mas foi o suficiente para tornar o Monza SR, agora com motor 2.0, um carro de muito mais garra. E que, naturalmente, também consome mais.
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Impressionante como um câmbio mais curto pode transformar um carro pacato e bem-comportado, como o Monza 2.0, num ágil modelo esportivo, o que o Monza S/R 2.0 S demonstrou ser neste teste. Sem considerar detalhes de acabamento, o câmbio curto é a única diferença entre os dois _mas uma diferença que operou milagres. Embora tenham o mesmo motor, até na velocidade máxima houve um ganho expressivo: enquanto o Monza SL/E 2.0 testado em novembro fez 161,6 km/h, este S/R chegou aos 167,5 km/h. E, na aceleração de 0 a 100 km/h, melhorou de 11,22 segundos para 11,08 segundos. Mas foi mesmo nas retomadas de velocidade que o S/R mostrou efetiva superioridade. Para ir, por exemplo, de 40 a 120 km/h em quinta marcha, levou apenas 24,98 segundos _quase dez segundos menos que o SL/E, que demorou 34,76 segundos. Ou seja, um carro extremamente confiável, sobretudo para as ultrapassagens na estrada.
Para obter esse resultado, a GM poderia ter investido em equipamentos que aumentassem a potência desse motor _como um novo comando de válvulas ou uma carburação mais rica e eficiente. Disso resultaria um motor com algumas características diferentes, que exigiriam cuidados diversos na manutenção. Mas não: o motor 2.0 do S/R tem a mesma potência _110 cv_ do SL/E.
É verdade que o escapamento mais livre do S/R, com quase o dobro do diâmetro do escapamento do Monza comum, pode beneficiar seu desempenho em certas circunstâncias. Mas não chega a ser determinante, tendo muito mais a função de dar ao carro um ronco mais esportivo. O fato é que a receita da GM consistiu apenas no encurtamento das marchas. Com isso, aumentou o número de rotações em cada marcha, obtendo maior transferência de potência e, portanto, melhor desempenho.
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Os custos certamente ditaram essa decisão. Os investimentos necessários para desenvolver um motor mais potente, que fatalmente passariam pela criação de uma linha de montagem suplementar, tornariam o preço do S/R proibitivo _ainda mais se considerarmos o baixo nível de vendas de modelos esportivos como esse no Brasil. De qualquer forma, como está, o Monza S/R oferece uma outra vantagem para seus usuários: seu motor funciona de modo muito regular, muito redondo, em todas as faixas de rotação. Se o comando de válvulas tivesse sido trocado por outro mais esportivo, o motor provavelmente não funcionaria tão bem nas baixas rotações. Poderiam surgir buracos na carburação, exigindo do motorista sempre mais aceleração, com prejuízo não só para o conforto como também para o consumo.
Desempenho sacrifica consumo e ruído
Aliás, só o encurtamento do câmbio já foi suficiente para fazer do Monza S/R um carro bem menos econômico que o SL/E. Andando à velocidade constante de 100 km/h, por exemplo, fez 8,91 km/l contra 10,60 do último SL/E testado. Nem era para menos: a essa velocidade, em quinta, o câmbio do S/R exige 520 rpm a mais do motor que o câmbio mais longo do SL/E. Em uma hora, são 31.200 rotações a mais _e isso significa mais consumo de combustível.
Do mesmo modo, maior número de rotações e escape mais aberto só podem aumentar o nível de ruído. E foi o que aconteceu: a 120 km/h, o ruído dentro do S/R chegou a 77,6 decibéis contra 72,8 decibéis do SL/E na mesma situação. De qualquer modo, há quem entenda que carros esportivos devam mesmo ser mais barulhentos.
Excetuando isso, é um carro muito agradável de dirigir _e bonito. Sua estabilidade é excelente, auxiliada pela eficiência dos novos pneus Eagle NCT série 60. Só para se ter uma idéia, a até uns 120 km/h quase não se percebe diferença entre dirigir na chuva e em pista seca.
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Os amortecedores dianteiros e traseiros são também mais duros, os batentes de compressão dianteiros mais altos e a barra estabilizadora dianteira mais grossa. Assim, chega a ser difícil descobrir o limite de aderência desse carro em curva _tarefa apenas para um experiente e corajoso piloto. Mas há um preço para isso. Em pisos irregulares, o S/R se torna desagradável a ponto de irritar. Chacoalha, faz barulho e a suspensão parece que vai se desmantelar. Efetivamente, é um carro feito apenas para boas estradas, ainda difíceis de se encontrar no Brasil.
O painel é um dos mais completos e racionais entre os dos carros brasileiros: limpo, fácil de ler, com instrumentos bem visíveis e claros _que, no S/R, vêm esportivamente pintados de vermelho. O relógio, que não precisa ser frequentemente consultado, fica à direita, junto ao rádio, liberando o centro de visão do motorista para os instrumentos mais importantes. A rigor, só não tem manômetro de óleo. Além disso, os comandos são bem acessíveis, inclusive os dos retrovisores externos e os dos vidros _ambos elétricos e de série nesta versão do Monza.
Uma alavanca mal posicionada
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Os bancos são Recaro. Seguram muito bem o corpo nas curvas e são confortáveis. Não dispõem, contudo, de regulagem de altura. Nota-se ainda que a alavanca de regulagem da distância está mal posicionada: corre-se o risco de bater com o joelho nela cada vez que se entra ou sai do carro.
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A forração preta do teto é elegante e combina bem com o carro, apesar do inconveniente de reter mais calor. E a pintura externa é em dois tons, particularmente atraente no modelo que testamos: vermelho Ferrari (embora seja carro GM) com uma larga faixa preta na parte inferior, que combina com os spoilers, o pequeno aerofólio e as molduras das janelas. Um carro, enfim, para se sentir orgulho de ter.
Os resultados
DESEMPENHO: muito bom. Com as marchas mais curtas houve, principalmente, melhora nas retomadas. CONSUMO: aumentou, também em função do câmbio mais curto. Aceitável, porém, para um esportivo. MOTOR: exatamente o mesmo 2.0 do SL/E, com a novidade das marchas mais curtas. CÂMBIO: encurtado para dar desempenho mais esportivo. Engates precisos, sem qualquer problema. FREIOS: bons. Náo travam as rodas em altas velocidades, nem mesmo quando se trava o pedal. DIREÇÃO: hidráulica, no carro testado; um fator a mais de conforto. Mas muito leve na estrada. ESTABILIDADE: excelente, graças aos novos pneus Eagle e à suspensâo mais dura deste esportivo. SUSPENSÃO: boa para a estabilidade, mas muito dura e desconfortável para nossas condições de piso. ESTILO: atraente. Aerofólios dianteiro e traseiro, rodas e pintura especiais dão o tom esportivo.
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Velocidade indicada (km/h) |
Marcha usada |
Consumo (km/l) |
40 |
5ª |
13,91 |
60 |
5ª |
11,93 |
80 |
5ª |
10,51 |
100 |
5ª | 8,91 |
120 |
5ª | 7,37 |
.Consumo médio (km/l)
Consumo em cidade |
6,67 |
Consumo em estrada a 80 km/h carregado |
8,82 |
Consumo em estrada a 80 km/h vazio |
9,36 |
Aceleração (tempo em segundos)
Var. velocidade real (km/h) |
Marchas usadas |
Tempo (s) |
.......................0 - 40 |
1ª |
2,56 |
.......................0 - 60 |
1ª / 2ª | 4,67 |
.......................0 - 80 |
1ª / 2ª / 3ª | 7,24 |
0 - 100 |
1ª / 2ª / 3ª | 11,08 |
0 - 120 |
1ª / 2ª / 3ª / 4ª | 16,43 |
0 - 140 |
1ª / 2ª / 3ª / 4ª | 24,21 |
Distância percorrida (metros)
| 0 - 400 m | 17,68 s |
| 0 - 1000 m | 32,99 s |
Retomada de velocidade (tempo em segundos)
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| ...............40 - 60 | 5ª | 6,44 | ||||||
| ...............40 - 80 | 5ª | 12,49 | ||||||
| ...............40 - 100 | 5ª | 18,32 | ||||||
| ...............40 - 120 | 5ª | 24,98 | ||||||
40 - 1.000 m |
5ª | 37,37 |
Velocidade máxima nas marchas (km/h reais)
| Marcha usada | km/h |
| 1ª | 48 |
| 2ª | 73 |
| 3ª | 111 |
| 4ª | 145 |
| 5ª | 167 |
| Média de 4 passagens | 167,5 |
| Melhor passagem | 168,0 |
Espaço de frenagem (metros)
Var. velocidade real (km/h) |
Distância (m) |
40 - 0 |
8,20 |
60 - 0 |
18,05 |
80 - 0 |
31,60 |
100 - 0 |
48,55 |
120 - 0 |
68,85 |
freio de mão (60 - 0) |
49,95 |
Nível de ruído - dB (A)
| Velocidade real (km/h) | Marcha usada | dB (A) |
| 0 | ponto morto | 49,8 |
| 20 | 1ª | 63,8 |
| 40 | 2ª | 67,3 |
| 60 | 3ª | 69,7 |
| 60 | 4ª | 70,4 |
| 80 | 4ª | 71,9 |
| 80 | 5ª | 71,3 |
| 100 | 5ª | 73,2 |
| 120 | 5ª | 77,6 |
Rolamento (metros percorridos em ponto morto)
| 100 km/h ------------- 40 km/h | 1.027,80 m |
