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A
reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Quatro Rodas" para
publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando
na imagem ao lado. |
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O Monza nos seus
primeiros 30.000 km |
(Edição nº 279,
outubro de 1983) |
O Monza 1.8 a gasolina chegou ao fim
do teste sem grandes problemas. Mas as oficinas autorizadas não conseguiram consertar
seus pequenos defeitos. Mesmo assim os motoristas que andaram com ele gostaram. E dizem
por quê
| Os caminhos e os problemas do |
| Monza em 30.305 km de teste |
Os primeiros quilômetros
foram rodados em São Paulo, mas incluíram duas viagens a Campinas e a Sorocaba. Logo
apareceram alguns problemas, que aparentemente indicavam falhas no controle de qualidade e
na revisão que a concessionária deve fazer antes de entregar o carro: o câmbio estava
com engates duros e imprecisos, havia ruídos no painel, principalmente nas aletas de
passagem de ar, ruídos no porta-pacotes e um assobio aerodinâmico provocado pela má
vedação do quebra-vento do lado do motorista. As palhetas do limpador do pára-brisa,
quando ligado, também faziam barulho.
Depois da primeira
revisão, feita com 2.881 km, e dos testes de pista, o Monza rodou algum tempo em São
Paulo e arredores e começou então a primeira longa viagem. Passou por Campos,
Vitória,Porto Seguro, Muriaé, entre outras cidades, e voltou a São Paulo no dia 15 de
dezembro, com 7.276 km, uma semana depois de ter saído. Nessa viagem passou por pequenos
trechos de terra e verificou-se que havia falhas na vedação: a poeira entrava no
compartimento de passageiros e no porta-malas. E com 5.583 km, o cinto de segurança
havia-se desparafusado sozinho do piso. Um perigo em potencial, portanto. Uma viagem para
o Rio e outra para o litoral sul de São Paulo completaram a quilometragem de 9.823 km e
chegou o momento da segunda revisão, em 21 de janeiro de 1983. Feita a segunda revisão,
a avaliação e os testes, o Monza foi levado para duas viagens ao Rio. Depois a Itu,
Sorocaba e litoral de São Paulo. Em Santos, com 16.832 km, o cano de escapamento furou e
caiu. A peça foi trocada em São Paulo numa oficina não autorizada porque duas
concessionárias consultadas não a tinham em estoque. Em 9 de maio, com 20.179 km
rodados, foi para a terceira revisão. Depois dela e das avaliações, ele voltou a
viajar, quase sempre em estradas asfaltadas, passando, entre outros, por lugares como São
José do Barreiro, Formoso e, depois, pelo litoral (Angra, Parati etc.). Foi então que,
numa estrada de pedregulo e fundo em desnível, cortou-se a lateral de um pneu.
Entre uma e outra tarefa em São Paulo, houve mais uma viagem para o Rio e
outra para Ribeirão Preto antes da revisão final, com 29.911 km, em 28 de julho.
Ele já saiu com
defeitos. Má revisão ou falta de controle?
Engates do câmbio
duros e imprecisos, ruídos no paiel e no porta-pacotes, assobio provocado pelo
quebra-vento e pelas palhetas do limpador do pára-brisa quando ligado foram defeitos com
que o Monza saiu da loja. Eles indicam falhas no controle de qualidade da GM e revisão de
entrega deficiente por parte da concessionária.
Na primeira
revisão, também em São Paulo, houve uma falha técnica, conforme verificamos na
avaliação mecânica que fizemos em seguida. De acordo com a fábrica, o afastamento dos
eletrodos das velas pode variar entre 1,0 e 1,2 mm, e a abertura uniforme com que o carro
saiu da concessionária foi de 0,80 mm; e essa é a regulagem que deve ser feita para o
motor 1.6 com ignição convencional e não para o motor 1.8 com ignição eletrônica, o
caso do carro do teste.
Na avaliação
técnica feita por Quatro Rodas depois da primeira revisão mediu-se também a compressão
dos cilindros do motor, que variou entre 125 e 135 lb/pol2. Mais importante do
que estarem próximos das 160 lb/pol2 apontadas como ideais pela GM é que não
haja muita diferença entre os cilindros. E com o Monza não houve. Nos testes de pista,
feitos em seguida, o Monza chegou à máxima de 155,507 km/h, acelerou de 0 a 100 krn/h em
14,81 s e, a 80 km/h de velocidade constante, fez 13,11 km/l. A primeira revisão foi feita em um dia. Para a segunda, avisou-se que não
havia pressa; o que importava é que a revisão fosse bem-feita. O carro foi entregue a 21
de janeiro e devolvido no dia 31, mediante o pagamento de Cr$ 5.681 (Cr$ 157 de
mão-de-obra, Cr$ 3.568 de peças e Cr$ 1.956 de óleo do motor).
A avaliação feita
em seguida revelou que a pressão no interior dos cilindros oscilava entre 135 e 145
lb/pol2. E que, como na primeira revisão, houve erro na regulagem do
afastamento dos eletrodos das velas: 0,80 mm, em vez de oscilar entre 1,0 e 1,2 mm como
manda a GM. Uma falha que influi no rendirnento do motor e prejudica o consumo. Na
avaliação do consumo e do desempenho, na pista de testes em Limeira, a máxima foi de
155,340 km/h, a aceleração de 0 a 100 km/h levou 15,09 s, e o consumo foi de 13,60 km/l
a 80 km/h de velocidade constante.
Para a terceira
revisão, o Monza foi levado com 20.179 km, dia 9 de maio. Como na segunda, o
recepcionista foi avisado de que não havia pressa. O carro foi devolvido no dia 20, e a
revisão custou Cr$ 44.135 (Cr$ 26.500 de mão-de-obra, Cr$ 15.137 de peças e Cr$ 2.498
de óleo do motor). A avaliação feita depois pela equipe de Quatro Rodas mostrou que a
compressão no interior dos cilindros oscilava entre 140 e 150 lb/pol2 e que a
regulagem da folga dos eletrodos das velas estava correta: 1,00 mm. Na pista, o Monza
chegou a 154,011 km/h de velocidade máxima, acelerou de 0 a 100 km/h ern 14,15 s e fez
14,11 km/l a 80 km/h de velocidade constante.
Na revisão final, o
carro foi levado com 29.911 km rodados a 28 de julho e devolvido no dia 1 de agosto com 8
km a mais, o que pode indicar um percurso de teste. O preço foi de Cr$ 72.275 (Cr$ 37.100
de mão-de-obra, Cr$ 31.759 de peças e Cr$ 3.416 de óleo do motor). A verificação
feita depois mostrou que o motor estava em muito bom estado, com a compressão dos
cilindros variando entre 135 e 140 lb/pol2. E que o afastamento dos eletrodos
das velas era correto: 1.00 mm nas quatro. Na pista, o Monza acelerou de 0 a 100 km/h em
13,93 s, chegou à velocidade máxima de 157,722 km/h e fez 13,84 km/l à velocidade
constante de 80 km/h. As marcas de desempenho da última avaliação foram as melhores de
todas, confirmando o bom estado do motor.
Todos gostaram de dirigir
o Monza
Os motoristas
que dirigiram o Monza durante 30.305 km foram unânimes: todos eles comprariam um carro
igual para uso próprio. Mas houve divergência em relação a alguns itens. Os faróis,
cgnsiderados bons pela maioria deles, foram julgados deficientes por alguns que usaram o
Monza à noite, sob chuva forte. Principalmente em estradas escuras. Outro ponto de
discórdia foi o julgamento da suspensão. Para alguns, macia; para outros, dura. Mas,
apesar da diversidade de opiniões, todos concordaram em que a estabilidade proporcionada
pela suspensão é muito boa. Alguns foram além, classificando-a como ótima. Em outros
aspectos houve unanimidade de julgamento. Foi o caso do motor, que a todos agradou por sua
elasticidade e potência, considerada muito útil nas ultrapassagens; da direção,
geralmente definida como macia e precisa; dos freios, que funcionam bem e param o carro em
espaços curtos; do conforto, que pareceu bom a todos. A boa visibilidade, o porta-malas
espaçoso, o câmbio de engates macios e exatos (duros no início do teste) e a boa
autonomia foram outros aspectos elogiados. Como o consumo, considerado bom por 60% e
razoável pelos outros 40% dos que dirigiram o Monza. As queixas se concentram nas falhas
de vedação, com entrada de água, ar e poeira. E nos ruídos gerados pelo painel, um
problema que, pelo que sabemos, a GM está procurando solucionar. De todo modo, todos
responderam "sim" à pergunta: "Você compraria este carro?".
Para mim, o Monza é
um bom carro. Foi essa a impressão que o teste de 30.000 km me deixou. O motor tem
potência adequada e boa elasticidade, o câmbio, com relações de marchas corretas, tem
engates precisos (o problema inicial foi resolvido na primeira revisão), a direção é
confiável, a suspensão consegue bom compromisso entre conforto e estabilidade. O consumo
é adequado à categoria e cilindrada do Monza, bem como seu desempenho e frenagem. Como
notas negativas, os ruídos oriundos do painel e da traseira, as falhas na vedação e a
pobreza do painel de instrumentos (deveria ser usado o do Ascona luxo, com conta-giros).
Eu também compraria o Monza, só que com quatro portas. (Claudio Carsughi).
Os resultados
MOTOR: apenas no
começo do teste o motor demorava para pegar quando frio. Fora isso, nenhum problema:
fornecimento de potência contínuo, sem falhas de carburação, e bom estado geral no
final do teste.
SUSPENSÃO: sem
problemas, com todos seus componentes em estado satisfatório até o fim do teste.
Provavelmente colaborou para isso o fato de o Monza ter rodado principalmente em pisos
asfaltados.
SISTEMA ELÉTRICO:
não ocorreu nada com relação ao sistema elétrico do carro, que sempre funcionou bem.
Apenas aíguns motoristas se queixaram da iluminação deficiente dos faróis, sob chuvas
à noite.
VEDAÇÃO: sob chuva
forte ocorre vazamento de água pelos quebra-ventos e junto às portas. E também entrou
poeira. No interior do carro percebe-se a entrada de ar quente do motor, junto à alavanca
de câmbio.
DESEMPENHO: é
coerente com a cilindrada do motor (1.8) e com a finalidade para a qual o carro foi
projetado, o turismo. Incorreções nas regulagens podem afetá-lo negativamente, mas
nunca de forma muito grave.
CARROCERIA, RUÍDOS:
não se registraram muitos ruídos gerados pela carroceria, mas sim pelo painel. Utilizado
na velocidade mais alta, o ventilador tem um ruído elevado, mas suportável em curtos
períodos.
CARROCERIA. DESGASTE
EXTERNO: a pintura resistiu à corrosão atmosférica a ponto de o Monza ter-se conservado
em bom estado até o fim do teste. Não se notaram pontos de ferrugem na carroceria.
CARROCERIA, PARTES
MÓVEIS E INTERNAS: alguns problemas pequenos mas desagradáveis. O cano de escape furou e
caiu. O cinto de segurança desaparafusou-se sozinho do piso do carro. O vidro da porta do
motorista tornou-se duro de acionar.
DIREÇÃO: com as
rodas bem balanceadas, a direção é precisa e macia, mesmo em manobras urbanas, não se
percebendo a necessidade de um servo (que existe como opção de fábrica). O volante tem
diâmetro correto e boa empunhadura.
FREIOS: o sistema
funcionou bem durante todo o teste, propiciando paradas rápidas, sem alteração da
trajetória, com leve abaixamento da frente do veículo. A força que precisa ser feita no
pedal é muito pequena.
CONSUMO: a média
geral foi de 9,79 km/l. Na primeira parte do teste o consumo foi de 9,29 km/l,
reduzindo-se na segunda para 10,40 km/l e fixando-se, na terceira e última, em 10,06
km/l. Marcas adequadas ao veículo, tamanho e peso.
PNEUS: um dos pneus
sofreu um corte com pouco mais de 25 mil quilômetros rodados numa estrada sem
sinalização em desnível, nas proximidades de Angra. O desgaste foi normal. Chegaram em
bom estado ao fim do teste.
TRANSMISSÃO: no
começo, os engates do câmbio eram duros e imprecisos, defeito sanado na primeira
revisão mas que reapareceu parcialmente depois, para sumir de vez na segunda revisão.
Além disso, não se notou nada de anormal.
ATENDIMENTO NAS
CONCESSIONÁRIAS: atencioso, mas tecnicamente deficiente: o carro saiu com o afastamento
dos eletrodos errado; era o da regulagem indicada para o motor 1.6, com ignição
tradicional, e não o 1.8, com ignição eletrônica.
Defeitos anotados
80 km: câmbio de engates
duros e imprecisos. Ruídos no painel, principalmente nas aletas de passagem de ar. Ruído
aerodinâmico causado pelo quebra-vento do lado do motorista. Ruído no porta-pacotes
traseiro, do lado do motorista.
237 km: ruídos internos de
carroceria aumentam.
267 km: palhetas do
pára-brisa fazem ruídos.
1.219 km: difícil de pegar
quando frio.
5.583 km: cinto de
segurança desaparafusou-se sozinho. Vidro da porta do motorista duro de acionar.
16.832 km: cano de escape
furou e caiu.
22.760 km: entrada de ar
quente pela alavanca do câmbio e pelo console.
25.525 km: pneu cortou-se.
25.654 km: entrada de ar
frio pela parte traseira da porta.
Os números do teste
.Consumo a velocidade constante (km/l)
|
|
1ª med. |
2ª med. |
3ª med. |
4ª med. |
| 40 |
4ª |
17,79 |
19,40 |
15,11 |
17,88 |
| 60 |
4ª |
14,67 |
14,57 |
15,95 |
15,53 |
| 80 |
4ª |
13,11 |
13,60 |
14,11 |
13,84 |
| 100 |
4ª |
11,53 |
11,97 |
11,64 |
11,67 |
| 120 |
4ª |
8,17 |
9,80 |
9,67 |
10,00 |
Média
de consumo (km/l)
Km rodados |
(km/litros) |
| 00.000 a 10.000 |
9,29 |
| 10.000 a 20.000 |
10,49 |
| 20.000 a 30.305 |
9,29 |
| 00.000 a 30.305 |
9,29 |
.Aceleração (tempo em segundos)
| Var. velocidade real |
| (km/h) |
|
|
1ª med. |
2ª med. |
3ª med. |
4ª med. |
| ..............0 - 40 |
1ª |
3,44 |
3,31 |
2,95 |
3,03 |
| ..............0 - 60 |
1ª/2ª |
6,19 |
6,04 |
5,75 |
5,64 |
| ..............0 - 80 |
1ª/2ª/3ª |
9,58 |
9,75 |
9,35 |
8,92 |
| ..............0 - 100 |
1ª/2ª/3ª |
14,81 |
15,09 |
14,15 |
13,93 |
..............0 - 120 |
1ª/2ª/3ª/4ª |
22,36 |
23,15 |
22,03 |
20,35 |
..............0 - 140 |
1ª/2ª/3ª/4ª |
35,42 |
35,73 |
33,83 |
32,60 |
..............0 - 500 m |
1ª/2ª/3ª |
22,42 |
22,40 |
21,53 |
21,71 |
..0 - 1000 m |
1ª/2ª/3ª/4ª |
35,82 |
36,51 |
35,32 |
35,07 |
Retomada de
velocidade (tempo em segundos)
| Var. velocidade real |
| (km/h) |
|
|
1ª med. |
2ª med. |
3ª med. |
4ª med. |
...............40 - 60 |
4ª |
6,71 |
7,31 |
6,68 |
6,78 |
| ...............40 - 80 |
4ª |
13,04 |
13,72 |
12,37 |
12,45 |
| ...............40 - 100 |
4ª |
19,98 |
20,86 |
19,11 |
19,05 |
| ...............40 - 120 |
4ª |
28,06 |
28,28 |
27,09 |
27,05 |
...............40 - 140 |
4ª |
41,15 |
42,76 |
38,63 |
38,81 |
..40 - 1000 m |
4ª |
37,49 |
38,55 |
37,24 |
36,79 |
Velocidade
máxima na pista de testes (km/h reais)
| |
1ª med. |
2ª med. |
3ª med. |
4ª med. |
| Média
de 4 passagens |
155,507 |
155,340 |
154,011 |
157,722 |
| Melhor
passagem |
156,522 |
157,895 |
156,522 |
163,636 |
Pressão nos
cilindros (libras/polegadas2)
| |
1ª med. |
2ª med. |
3ª med. |
4ª med. |
| 1º
cilindro |
125 |
130 |
140 |
135 |
| 2º
cilindro |
135 |
140 |
145 |
140 |
| 3º
cilindro |
135 |
120 |
140 |
140 |
| 4º
cilindro |
135 |
120 |
150 |
140 |
A fábrica indica p/
a compressão dos cilindros 160 lb/pol2 . O mais importante contudo não é o valor absoluto, mas a
diferença entre os quatro cilindros não pode superar 14 lb/pol2. E não
superou em nenhuma das medições indicando que, ao final do teste, o motor ainda estava
em ótimas condições.
Folga nos eletrodos
das velas (mm)
| |
1ª med. |
2ª med. |
3ª med. |
4ª med. |
| 1º
cilindro |
0,80 |
0,80 |
1,00 |
1,00 |
| 2º
cilindro |
0,80 |
0,80 |
1,00 |
1,00 |
| 3º
cilindro |
0,80 |
0,80 |
1,00 |
1,00 |
| 4º
cilindro |
0,80 |
0,80 |
1,00 |
1,00 |
De acordo com a fábrica, o
afastamento dos eletrodos das velas pode variar entre 1,0 e 1,2 mm. Isso só foi observado
na 3ª e 4ª revisões, observando-se desleixo técnico nas demais, que utilizaram a
regulagem indicada para o motor 1.6 com ignição convencional em lugar da recomendada
para o motor 1.8 com ignição eletrônica.
