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Oficina Mecânica

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Oficina Mecanica" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

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Teste comparativo: Monza SL/E 2.0 x Omega GLS 2.0

(Edição nº 79, março de 1993).

 
Na pista de testes

Muitas vezes, a versão mais sofisticada de uma linha _dentro do mesmo fabricante_ pode custar até mais do que a versão mais simples de outro modelo. Isso acontece, por exemplo, com a Parati GLS, que custa quase o mesmo que uma Quantum CL. Ou um Monza SL/E completo, que é até mais caro que o Omega GLS básico. A escolha fica por conta do gosto do comprador que, dispendendo da mesma quantia, pode optar por um modelo menor, mas bem equipado, ou um maior, quase sem equipamentos.

OFICINA MECÂNICA realizou este teste comparativo _entre Monza SL/E 2.0 e Omega GLS 2.0_ onde, de semelhante, os dois têm motor, preço e combustível (gasolina). De resto, muitas diferenças. O Monza foi lançado na Alemanha em 1982, enquanto o Omega é mais recente, de 1986 (também na Europa). No Brasil, o Monza chegou em 1982 e o Omega 10 anos depois do Monza.

Desempenho

Testando o desempenho

Apesar de equipados com o mesmo motor de quatro cilindros em linha e 2.000 cc, o Omega tem 6 cv a mais que o Monza. Esta diferença de potência fica por conta da injeção eletrônica (multipoint no Omega e single point no Monza) e outros detalhes. Na aceleração de 0 a 100 km/h, o Monza foi 6 décimos de segundo mais rápido que o Omega (12,5 contra 13,1 s). Já na velocidade máxima, o Omega _com sua melhor aerodinâmica_ chegou aos 189 km/h (média de quatro passagens, com a melhor em 191,2 km/h). O Monza ficou com 176,2 km/h (média, com a melhor marca de 177,4 km/h). Na retomada de 40 a 100 km/h, em quinta marcha, nova vantagem para o Monza, que fez 28,5 segundos, contra 31,0 segundos do Omega. A vantagem do Monza nas provas de aceleração se deve à melhor relação peso/potência. O Omega (116 cv e 1.452 quilos) tem 12,5 kg para cada cv, enquanto o Monza (110 cv/1.123) tem 10,2 cv/kg. Nem os dados de velocidade, nem os de aceleração chegam a ser esportivos. Nos dois casos, os motores são "pacatos". O Monza, para ter um rendimento mais agressivo, precisaria de mais 10 cv, chegando aos 120 cv, enquanto o Omega, com seu porte, se dá realmente bem com o motor seis cilindros da versão CD, com seus 165 cv.

Consumo e autonomia

A melhor aerodinâmica do Omega se reflete também nas medições de consumo. A 100 km/h constantes, em última marcha, o Omega atingiu 13,1 km/litro de gasolina, enquanto o Monza fez 11,4 km/litro. Na cidade, o consumo dos dois carros, dentro do padrão estabelecido por OFICINA MECÂNICA, foi de 8,5 km/litro para o Omega e 7,9 km/litro no Monza. Não são marcas excepcionais se considerarmos o motor de 2.000 cc com injeção. Acontece que os dois carros _em especial o Omega_ devido ao porte e peso (1.452 kg o Omega e 1.123 kg o Monza) necessitariam de um pouco mais de potência para serem mais econômicos no anda e para das cidades.

A autonomia teórica a 100 km/h constantes é de 982,5 km para o Omega (tanque de 75 litros) e de 649,9 km para o Monza (57 litros). A marca do Omega é muito boa, pois permite _teoricamente_ quase uma viagem de São Paulo a Vitória (ES), sem reabastecimento.

Estabilidade e conforto

A engenharia da General Motors consegue façanhas no desenvolvimento das suspensões de seus carros, que estão entre as que melhor conciliam conforto e segurança entre os nacionais. Omega e Monza têm conceitos diferentes de construção de suspensões e estabilidade. O Omega tem tração traseira, com diferencial fixo à carroceria, braços semi-arrastados (semi-eixos na traseira), molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e estabilizador. Na dianteira, usa sistema tipo McPherson, com braço triangular, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. O Monza, por sua vez, tem tração dianteira. Na frente, usa suspensão tipo McPherson, e na traseira, eixo de torção. Tudo com amortecedores hidráulicos, molas helicoidais e estabilizador.

Monza Omega

Como não são carros muito potentes, dificilmente acontecerão surpresas para o motorista. O Omega, em situações extremas, pode sair um pouco de traseira, enquanto o Monza, também depois de muito abuso, pode desgarrar um pouco com a frente. É preciso apenas um pouco de adaptação ao Omega, já que o hábito de dirigir com tração dianteira condiciona o motorista a reagir de maneira diferente.

Andando, os dois carros são bem confortáveis, já que as suspensões trabalham bem e transmitem pouca aspereza para o interior (só a normal, provocada pelos pneus radiais). O entre-eixos do Omega (2.730 mm) é maior que o do Monza (2.574 mm), o que significa maior conforto no Omega ao trafegar.

Motor e câmbio

Os dois carros são equipados praticamente com o mesmo motor, de 1.998 cc (86x86 mm de diâmetro e curso, considerado quadrado, meio termo da relação de diâmetro e curso, que favorece potência e torque em qualquer faixa, sem ser excepcional em nenhuma). Ambos têm 9,2:1 de taxa de compressão (gasolina), alimentados por injeção eletrônica multipoint no Omega e singlepoint no Monza. O Omega é mais potente que o Monza, graças nâo só a injeção mais sofisticada, mas também a um novo diagrama de comando de válvulas que favorece o torque, adequando o motor ao maior peso do carro. Assim, o Omega tem 116 cv de potência a 5.200 rpm, enquanto o Monza tem 110 cv a 5.600 rpm. O torque também é maior no Omega: 17,3 kgf.m a 2.800 rpm, e no Monza, 16,6 kgf.m a 3.200 rpm. Ambos têm funcionamento suave e sem problemas, mas carecem de um pouco mais de "fôlego", principalmente no Omega.

Os câmbios são de concepção diferente, sendo o do Omega (alemão, Opel) longitudinal e o do Monza japonês, lsuzu) transversal. Ambos são de cinco velocidades, engates precisos e suaves. Apenas a alavanca do Omega tem o curso um pouco longo.

Direção e freios

O Omega tem sistema de direção hidráulica, com setor e rosca sem fim. Já o Monza trabalha também com direção hidráulica, mas usando caixa com pinhão e cremalheira. A do Omega, com 3,2 voltas de batente a batente é um pouco mais rápida que a do Monza (3,5 voltas), mas ambas são muito desmultiplicadas, complicando um pouco uma pilotagem mais esportiva (apesar de esse não ser o compromisso dos carros).

O sistema de freios do Omega é semelhante ao do Monza com discos nas quatro rodas (duplos na dianteira). A 100 km/h o Omega precisou de 32,1 metros para se imobilizar, enquanto o Monza parou em 39,7 metros, marca normal; a do Omega é que é muito boa. Não notamos tendência a travamentos prematuros ou desvios laterais; também em uso forçado não foi sentido fading (perda de eficiência por elevação de temperatura).

Estilo e aerodinâmica

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O Omega foi lançado em 1986 na Alemanha, enquanto o Monza data de 1982. E esses quatro anos se refletem no estilo do Omega, mais aerodinâmico, limpo e cuidado que o do Monza. É só colocar um ao lado do outro para se ter a impressão de que o Monza está sendo ultrapassado. O Omega tem melhor aerodinâmica (Cx de 0,30, contra 0,39 do Monza), e consegue isso com um desenho melhor e detalhes como vidros rentes à carroceria (os laterais correm por cima das colunas), maçanetas embutidas etc. O resultado é a melhor velocidade máxima e menor consumo a favor do Omega.

Interior e espaço interno

O Omega, de outra categoria, é maior e mais atual que o Monza, e isso se reflete em maior espaço interno para os ocupantes. Também é um carro de classe superior, e por isso seu acabamento supera o do Monza. O Omega, por dentro, é mais amplo, claro e arejado, acomodando bem quatro adultos. No Monza, quatro adultos também se acomodam, mas sem o mesmo conforto e espaço. O porta-malas do Omega é menor que o do Monza (520 litros contra 565 litros), ambos com tampa abrindo até o assoalho. O Omega leva a vantagem de ter o encosto do banco traseiro rebatível, o que aumenta de maneira considerável a capacidade de carga.

Ergonomia e painel

Em termos ergonômicos, o Omega leva vantagens sobre o Monza. No Omega, o motorista se senta mais à vontade, com os comandos bem posicionados e visualizados. O painel do Omega lembra o do Monza, mas é mais atual e funcional. No Omega, quatro marcadores: velocímetro, contagiros, temperatura da água e nível de combustível. O do Monza é mais completo, pois conta ainda com voltímetro e vacuômetro. 0 Monza avaliado tinha computador de bordo; volante com ajuste de altura; condicionador de ar; ajuste de altura dos faróis; acionamento elétrico de vidros; travas e espelhos elétricos; ajuste de altura dos bancos; rádio-toca-fitas digital e espelho interno com regulagem dia/noite automático, entre outros.

O painel do Monza
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O painel do Omega

Já o Omega, por ser um modelo básico, tinha apenas vidros verdes, teto solar com acionamento elétrico e equipamento de som, mesmo assim são opcionais. Ou seja: pelo mesmo preço compra-se um modelo bem equipado (como o Monza), ou um de outra categoria, superior (como o Omega), mas praticamente sem acessórios.

Manutenção e mercado

Nos dois carros, a garantia é de 12 meses, sem limite de quilometragem. Um dado a ser analisado é em relação ao preço; US$ 22,5 mil o Monza e US$ 30,1 mil o Omega; ambos básicos. Com todos opcionais como o Monza SL/E testado, ele supera o Omega básico, custando cerca de US$ 32 mil. Isso indica claramente que a GM pretende, com o Omega, encostar nos Monza mais caros. E um recurso para preencher todos os espaços do mercado, e vez por outra um carro de uma categoria abaixo (como o Monza) supera um superior (o Omega).

Além disso, a GM tem o Monza Classic (US$ 32,5 mil, básico), que deverá sair de linha _junto com uma redução de acessórios e preço do SL/E_ o que abrirá espaço para a chegada de um novo carro, o Vectra, para ocupar justamente o espaço entre Monza e Omega.

Motores iguais

Utilizar o mesmo motor numa série de carros não é novidade nos Estados Unidos ou na Europa, onde a própria Opel (subsldiária alemã da GM) faz isso com frequência. E a explicação é simples: num automóvel o motor constitui o componente mais caro, aquele que deve durar mais, assim, nada melhor que ampliar ao máximo seu uso, em vários modelos de carros, o que acaba refletindo uma interessante economia de escala e facilidade de manutenção.

No Brasil a GMB faz isso com o bom motor 2.000 cc quatro cilindros, que foi inicialmente apresentado no Monza na conclusão de sua escalada de cilindrada (começo tímido como 1.600 cc em 1982, sequência positiva com o 1.800 cc que reergueu o carro, chegando depois ao 2.000 cc). E depois usado na versão esportiva do Kadett, até chegar ao Omega GLS, apenas variando-se parâmetros eletrônicos, comando de válvulas etc., que permitem adaptá-lo a veículos tão diferentes, desde peso até público, que se dirigem. Hoje, o motor que leva a sigla 2.0 indicando sua cilindrada é usado em três carros: Monza, Kadett e Omega. Mas para breve deverá ganhar seu lugar também na perua Omega, no Vectra e, possivelmente, numa versão de luxo da perua Ipanema com quatro portas. Assim, este motor tem, com certeza, um largo futuro pela frente, pelo menos aqui no Brasil.

Conclusão

O recém-lançado Omega traz o apelo da novidade, linhas clássicas, porém atuais. Já o Monza SL/E, completo (o modelo avaliado só não tinha câmbio automático), apesar de "desatualizado esteticamente"', tem muitos admiradores. O Monza SL/E ainda é um modelo para deixar muitos compradores de Omega na dúvida.

Ficha técnica - Monza SL/E 2.0

O motor do Monza

Motor: dianteiro, transversal, de quatro cilindros em linha, injeção eletrônica, sem catalisador. Cilindrada: 1.998 cc. Diâmetro e curso dos pistões 86 x 86 mm. Taxa de compressão 9,2:1. Potência máxima (líquida) 110 cv a 5.600 rpm; torque máximo (líquido) 16,4 kgf.m a 3.000 rpm. Transmissão: transversal, câmbio manual de cinco marchas à frente e uma à ré, com as seguintes relações: 1ª) 3,55; 2ª) 1,95; 3ª) 1,28; 4ª) 0,89; 5ª) 0,71; ré 3,33. Diferencial, 4,19. Tração dianteira. Direção: hidráulica, pinhão e cremalheira, 3,5 voltas de batente a batente. Suspensão: dianteira tipo Mcpherson com braço de controle triangular, mola helicoidal e amortecedor hidráulico; estabilizador. Traseira: eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor hidráulico e estabilizador. Freios: disco na dianteira e traseira, servofreio, duplo circuito em diagonal. Rodas e pneus: rodas de liga-leve 6 x 13 polegadas. Pneus 185/70 SR 13. Dimensões: comprimento total 4.336 mm; largura 1.668 mm; altura 1.346 mm; distância entre-eixos 2.574 mm; bitola dianteira/traseira 1.406 mm; altura livre do solo 170 mm. Capacidades: combustível, 57 litros. Peso: 1.123 kg. Aerodinâmica: Cx 0,39. Área frontal, 2,26 m2.

Ficha técnica - Omega GLS 2.0

O motor do Omega

Motor: dianteiro, longitudinal, de quatro cilindros em linha, injeção eletrônica Bosch Motronic com catalisador. Cilindrada: 1.998 cc. Diâmetro e curso dos pistões 86 x 86 mm. Taxa de compressão 9,2:1. Potência máxima (líquida) 116 cv a 5.200 rpm; torque máximo (líquido) 17,3 kgf.m a 2.800 rpm. Transmissão: longitudinal, câmbio manual de cinco marchas à frente e uma à ré, com as seguintes relações: 1ª) 3,954; 2ª) 2,187; 3ª) 1,387; 4ª) 1 (direta); 5ª) 0,845; ré 3,524. Diferencial, 3,900. Tração traseira. Direção: hidráulica, setor e rosca sem fim, 3,2 voltas de batente a batente. Suspensão: dianteira tipo Mcpherson com braço de controle triangular, mola helicoidal e amortecedor hidráulico; estabilizador. Traseira: braço semi-arrastado, mola helicoidal, amortecedor hidráulico e estabilizador. Freios: disco duplo ventilado na dianteira e disco simples na traseira, servofreio, duplo circuito em paralelo. Rodas e pneus: rodas de liga-leve 6 x 15 polegadas. Pneus 195/65R. Dimensões: comprimento total 4.738 mm; largura 1.933 mm; altura 1.418 mm; distância entre-eixos 2.730 mm; bitola dianteira/traseira 1.462/1.478 mm; altura livre do solo 156 mm. Capacidades: combustível, 75 litros. Peso: 1.452 kg. Aerodinâmica: Cx 0,30. Área frontal, 2,74 m2.

Os números do teste

.Consumo médio (km/l)

Velocidade real (km/h)

MONZA

OMEGA

80

13,6

14,9

90

12,6

14,0

100

11,4

13,1

120

10,0

11,3

Média

7,9

8,5

Aceleração (tempo em segundos)

Var. velocidade real (km/h) MONZA OMEGA
.........................0  -  40 3,3 4,3
.........................0  -  60 5,6 7,0
.........................0  -  80 8,3 9,7

0  -  100

12,6 13,1

0  -  120

18,1 20,0

.Velocidade máxima na pista de testes (km/h reais)

  MONZA

OMEGA

Média de 4 passagens 176,2 189,0
Melhor passagem 177,4 191,2

Retomada de velocidade (tempo em segundos)

Var. velocidade real
(km/h)
Marcha
usada
MONZA OMEGA
.................40 - 60 10,5 10,6
.................40 - 80 19,0 21,0
40 - 100 28,5 31,0
40 - 120 37,9 40,2

Espaço de frenagem (metros)

Var. velocidade real (km/h)

MONZA

OMEGA

...........................40 - 0

5,3

5,1

...........................60 - 0

14,0

12,7

...........................80 - 0

25,0

21,2

100 - 0

39,7

32,1

120 - 0

56,1

51,5

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