Monza Clube

Patrocinadores Classificados Agenda de Eventos Novidades Imprensa Notícias GM Facebook

..

..
Oficina Mecânica

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Oficina Mecanica" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

..

Linha Monza 87: os novos 2.0 e 1.8 litros

(Edição nº 05, setembro de 1986).

Praticamente não existem mudanças estéticas. A maior novidade da linha 87 é seu novo motor com 2.000cc e mais potência, além de um outro motor 1.8 de última geração

Novos modelos continuam chegando ao mercado, entre eles, a nova linha Monza 87. Este lançamento da General Motors praticamente não tem nenhuma alteração estética. As novidades ficaram mesmo a nível de motor. Os 1.6 e 1.8 da linha anterior foram substituídos por um novo motor 1.8 última geração (álcool ou gasolina). Mas a grande novidade da GM é um potente motor 2.0 litros (somente álcool), que também passará a equipar a nova linha 87.

Com o novo motor 2.000cc, o carro ficará com 110 CV (a 5.600 rpm) de potência, ou seja, 4 CV a mais que o esportivo Monza SR 1.8, o mais potente da linha até então. Tanto o 2.0 litros, como o novo 1.8, segundo o fabricante, apresentam melhor desempenho em baixas rotações, com arrancadas mais rápidas e melhor retomada de velocidade. Ainda que o novo 1.8 não tenha ganho em potência: seus 95 CV perdem para os 96 CV do modelo anterior a álcool (com carburação simples), e para os 99 CV do antigo motor a álcool com carburação dupla _todas as 5.600 rpm.

Os dois novos motores da linha 87 receberam várias inovações e principalmente uma redução no peso, com redimensionamento dos componentes _inclusive os internos do motor_ e utilização de materiais mais leves. Com o menor peso das partes móveis, sobretudo de pistões, bielas e virabrequim, estes motores também devem mostrar maior economia de combustível.

O que mudou

Tanto o 2.0 litros como o 1.8 apresentam uma série de inovações em relação ao 1.8 e 1.6 da linha anterior. Mas, o projeto e os aperfeiçoamentos dos dois novos motores são bastante semelhantes. O 2.0 litros, no caso, teve um aumento de cilindrada com o uso de um novo virabrequim e consequentemente, um novo curso dos pistões (86,0 mm contra 79,5 mm do 1.8). Além disto, estes pistões são maiores e com um desenho diferente na cabeça, o que ocasiona um aumento no diâmetro dos cilindros (86,0 mm contra os 84,8 mm do 1.8). O bloco do motor também foi modificado para receber estes novos pistões. Com estas mudanças, o motor passa de 1.796cc para 1.998cc e sua potência máxima líquida vai de 95 CV a 5.600 rpm, para 110 CV nas mesmas 5.600 rpm (o torque máximo do 2.0 litros é de 17,3 Kgf.m a 3.000 rpm).

Além disso, o novo 2.0 litros utiliza velas mais frias (tipo AC Delco R41XLS-11), que resistem a temperaturas mais elevadas, sem o risco de uma detonação ou pré-ignição. Outra diferença do 2.0 litros é a embreagem com disco em material mais resistente para suportar o torque mais elevado e um platô com maior carga. Ao contrário dos convencionais, este disco não utiliza amianto, mas um material à base de fibra de vidro e resinas.

Excluindo estas diferenças, o restante do motor 2.0 litros e 1.8 é o mesmo. Inclusive o carburador, agora um 2E Brosol de corpo duplo e segundo estágio acionado a vácuo, que mantém uma melhor calibração _em vários regimes de rotação. O corpo do carburador é feito num novo material (alumínio), que permitiu que ele ficasse 230 gramas mais leve do que o anterior (feito com Zamak).

Mudanças

O maior desempenho em baixas rotações foi também resultado de um novo desenho da câmara de combustão, agora com dutos de admissão da mistura ar/combustível em espiral. Isso aumenta a turbulência da mistura, tornando-a mais homogênea e obtendo-se uma melhor queima. Para se adaptar a nova câmara, as válvulas de admissão tiveram que ser redimensionadas, com hastes de menor diâmetro, maior cabeça e novas molas com menor carga. Os ressaltos do comando de válvulas também foram redesenhados, visando melhor desempenho em baixas rotações.

A linha 87 teve, ainda, um aperfeiçoamento no sistema de lubrificação. O volume de óleo do cárter foi aumentado para 3,75 litros (antes a capacidade era de 2,75) o que mantém sua temperatura de operação mais baixa. Além disso, a galeria de retorno de óleo do bloco foi modificada, fazendo com que o fluido volte mais rápido ao cárter. Por sua vez, no próprio cárter foi instalada uma placa defletora que restringe a movimentação do óleo, evitando a espumação. Desta forma, o óleo que circula é mais homogêneo, melhorando a lubrificação. A face superior do cabeçote foi rebaixada, reduzindo o nivel de óleo acumulado naquele ponto. Resultado: agora há mais óleo voltando ao cárter para continuar lubrificando.

O aquecimento do motor também está mais rápido, pois o volume de água que passa pela câmara do bloco foi reduzido. Mas isso não implica do motor superaquecer em rotações mais elevadas, pois o radiador também teve as aletas aumentadas para melhorar a troca de calor. Já a câmara de água do coletor de admissão está maior: com maior volume de água quente obtém-se uma queima mais uniforme da mistura ar/combustível, evitando perdas e melhorando o consumo. Nos motores a álcool existe outra novidade: o sistema de aquecimento elétrico da mistura, que reduz o uso do afogador.

Mais leve

Uma das modificações mais marcantes na linha Monza 87 foi a diminuição de peso do motor. O próprio bloco foi modificado, agora com paredes mais finas e com todos reforços internos e externos que reduzem o nível de ruídos e vibrações. O virabrequim também diminuiu de peso, além das bielas que passaram de 400 para 300 gramas. Os pistões agora são também mais leves e com a cabeça modificada (cabeçudos) para o motor a álcool, e cabeça plana para o motor a gasolina. Seu formato mudou pra que fosse mantida a mesma taxa de compressão do motor a álcool anterior (12,0:1) e o da gasolina passou de 8,2 para 8,8:1. Já os anéis do pistão tiveram sua tensão tangencial e largura diminuídas para reduzir o atrito, evitando perdas. O perfil dos anéis são do tipo "Napier" que, conforme a fabrica, deixam as paredes do cilindro mais limpas e reduzem o consumo de óleo em alta rotação.

Outras mudanças

Tanto o 2.0 como o 1.8, agora trabalham com uma marcha lenta menor e sua regulagem é feita entre 700 e 750 rpm, enquanto antes era a 900 rpm. O avanço inicial do ponto do motor é de 8º (nos modelos a gasolina e nos 2.0 litros a álcool) e a 10º (nos modelos 1.8 a álcool). O acerto é feito pelas marcações na polia do virabrequim, agora marcada de dois em dois graus (de 0º a 20º). Nos modelos anteriores havia uma única marca, indicando 10º. Com essa nova marcação, criou-se maior variedade de regulagens, importante uma vez que estes motores serão exportados para os Estados Unidos, Alemanha e Austrália, entre outros. Ou seja, de acordo com as condições do país utiliza-se um tipo de regulagem diferente.

Outra modificação foi com relação a vedação do motor, agora feita através de juntas de borracha poliacrílica, material mais resistente, segundo o fabricante, do que as juntas nitrílicas usadas anteriormente. E para a fixação do novo motor 2.0 litros houve alterações nos coxins, além de mudanças nos suportes do alternador e do compressor de ar condicionado (em modelos que têm esse equipamento opcional), que também foram alterados. Para não dizer que o carro ficou sem nenhuma alteração estética, o painel de instrumentos agora tem uma luz que se acende quando o motor fica superaquecido.

Com basicamente estas alterações, a nova linha Monza 87 chega às ruas. As mudanças acontecerão também para o consumidor que pagará 10% a mais pelo Monza 2.0 litros. Já o 1.8 manterá o mesmo preço de antes. Ouanto ao mecânico, ele terá tempo de se adaptar às inovações dos novos motores, uma vez que ainda demorará algum tempo para estes carros começarem a chegar às oficinas para manutenção.

Como funciona o pré-aquecimento

Os novos motores Monza a álcool vêm equipados com um sistema de pré-aquecimento da mistura ar/álcool: o PTC (Positive Temperature Control). Este sistema melhora bastante o funcionamento com motor frio e também reduz o consumo logo após a partida. O PTC funciona através de um aquecedor instalado no coletor de admissão, logo abaixo do carburador, para pré-aquecer a mistura. Ele é composto por três pastilhas cerâmicas de funcionamento elétrico que, quando ativadas, aquecem-se mais rapidamente.

O sistema só funciona ao se dar a partida (não adianta apenas ligar a ignição) e com o motor frio. Neste momento, um relé instalado à esquerda da caixa de tomada de ar, aciona as pastilhas que aquecem a mistura ar/combust!vel antes dela ser absorvida pelo motor. Quando a temperatura do motor chegar a aproximadamente 60º, o sensor enviará um sinal elétrico para o relé que desligará o sistema de pré-aquecimento. Este relé também aciona uma lâmpada no painel de instrumentos, que se acende quando o motor superaquecer _chegar a 120ºC.

O tempo de atuação do sistema dependerá da demora do motor para chegar a sua temperatura normal de funcionamento (entre 60º e 65º). Por isso, se o motor ficar sendo aquecido em marcha lenta, o sistema permanecerá ligado por mais tempo. E se desligará mais rapidamente, com o motor sendo aquecido com o carro em movimento.

Especificações técnicas

MOTOR 1.8 - dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, refrigerado a água com ventilador de controle termostático. Comando de válvulas no cabeçote e alimentaçâo feita por um carburador de corpo duplo estagiado. Cilindrada total: 1.796 cm3. Taxa de Compressão: 8,8:1 (gasolina) e 12,0:1 (álcool). Diâmetro x Curso: 84,8 x 79,5 mm. Potência máxlma: 95 CV a 5.800 rpm (gasolina) e 95 CV a 5.600 rpm (álcool). Torque máximo: 14,3 Kgf.m a 3.000 rpm (gasolina) e 15,1 Kgf.m a 3.000 rpm (álcool).

MOTOR 2.0 - dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, refrigerado a água com ventilador de controle termostático, comando de válvulas no cabeçote e alimentaçáo feita por um carburador de corpo duplo estagiado. Cilindrada total: 1.998 cm3. Taxa de compressão: 12,0:1. Diâmetro x curso: 86,0 x 86.0 mm. Potência máxima: 110 CV a 5.600 rpm. Torque máximo: 17,3 Kgf.m a 3.000 rpm.

Câmbio: mecânico, 5 marchas para frente e uma ré; ou automático, 3 marchas para frente e uma ré. Relação das marchas: mecânico, 1ª) 3,42:1; 2ª) 1,95:1; 3ª) 1,28:1; 4ª) 0,89:1; 5ª) 0,71:1; ré 3,33:1; automático, 1ª) 2,84:1; 2ª) 1,60:1; 3ª) 1,00:1; ré 2,07:1. Díferenclal: traçâo dianteira, (1.8/mecânico) 4,19:1; (1.8/automático) 3,33:1; (2.0/mecânico) 3,94:1; (2.0/mecânico) 3,33:1. Carrocerla: monobloco, cinco lugares; modelo Hatch: três portas; modelo Sedan: duas e quatro portas. Suspensão: dianteira: independente do tipo McPherson, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos de dupla açâo e lubrificação permanente; traseira: barra conjungada de geometria fixa, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos de dupla açâo. Freios: hidráulicos, circuitos duplos em diagonal com duas válvulas equalizadoras. Servo freio com 9'' de diâmetro. Dianteiros: a disco ventilado. Traseiro: a tambor, autoajustáveis. Estacionamento: mecânico nas rodas traseiras. Direção: mecânica tipo pinhão e cremalheira; diâmetro de giro: 11 m. Hidráulica (opcional) com 11,35 m de diâmetro de giro. Coluna da direçâo retrátil. Dlmensões externas: distância entre-eixos: 2.574 mm; bitola (dianteira e traseira): 1.406 mm; Hatch - comprimento, 4.264 mm; largura, 1.652 mm; altura, 1.348 mm; Sedan - comprimento, 4.366 mm; largura, 1.668 mm; altura, 1.358 mm. Capacidades: tanque, 61 litros; espaço da bagagem: Hatch, 445 litros (com a cobertura da bagagem instalada); 597 litros (cobertura de bagagem removida); 1.178 litros (cobertura de bagagem removida e banco traseiro dobrado). Sedan, 510 litros. Carga útil: Hatch básico, 495 kg; Hatch SL/E, 475 kg; Sedan básico, 475 kg; Sedan SL/E, 455 kg. Capacidade de tração de reboque: 500 kg (reboque sem freio); 1.100 kg (reboque com freio).

Monza Clube do Brasil - Todos os direitos reservados