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Revisão "de sábado"

 
Revisão "de sábado"

Quem nunca começou a 'fuçar" no motor do carro numa tarde de sábado, verificando aqui e ali, e muitas vezes ficou sem saber por onde começar? E, pior, começar a fazer algum serviço, com toda atenção e esquecer alguma coisa óbvia. Para isso, OFICINA MECÂNICA sugere esta sequência lógica, baseada no bom-senso e na experiência, para muitos sábados de "revisão de motor" em casa. Para facilitar, o motor foi dividido em partes: alimentação, ignição e órgãos auxiliares.

1) Alimentação -- observe o estado da linha de alimentação, ou seja, as mangueiras e tubos que levam combustível à bomba e ao carburador. Todos os encaixes e conexões devem estar em perfeito estado, com braçadeiras no lugar. O roteiro da linha de alimentação precisa estar livre e as mangueiras de borracha longe de pontos onde possam se atritar ou receber calor excessivo e possivelmente furar.

Alimentação do motor

Na maioria dos carros atuais (a gasolina) faz parte da alimentação uma peça de plástico chamada desborbulhador, localizada entre a bomba e o carburador e que serve para eliminar bolhas de ar que venham a se formar na bomba de combustível, o que impede o bombeamento para o carburador. Geralmente é no borbulhador _quando existente_ que está o tubo de retorno de gasolina para o tanque.

O filtro de combustível, também de plástico, não deve estar muito amarelado, sinal de que já está há muito tempo em uso e provavelmente se encontra saturado, por isso, troque-o se for o caso.

Filtro de combustível

No carburador e filtro de ar, verifique se todas as mangueiras de vácuo estão devidamente conectadas (às vezes se soltam por trepidação ou são esquecidas soltas após algum serviço). Retire e dê uma checada no filtro de ar, examinando com atenção o estado do elemento filtrante. Como o papel microporoso usado atualmente é bem claro, um filtro escurecido éindicação que já se encontra saturado, devendo por isso ser trocado. Quando existe pouca sujeira, o filtro pode ser limpo com ar comprimido assoprado de dentro para fora.

Filtro de ar

Continuando com as mangueiras, veja se a de vácuo do distribuidor está bem encaixada. Igualmente importante é a mangueira de grande diâmetro que conduz ar aquecido da região do coletor de escapamento para o filtro de ar, no bocal, que deve estar em bom estado e bem encaixada, possibilitando assim o envio de ar aquecido para o motor de acordo com o comando da válvula termopneumática (Thermac).

Mangueira de vácuo do distribuidor

Mangueira que conduz ar aquecido do coletor para o filtro de ar

Examine com bastante atenção o carburador quanto a vazamento de combustível, principalmente pelos diafragmas auxiliares. O diafragma do injetor, se está furado, deixa vazar combustível pelo braço de acionamento.

2) Ignição -- comece verificando o estado dos cabos de alta tensão, que levam corrente de alta voltagem da bobina para o distribuidor e deste para as velas. Os cabos não devem apresentar trincas ou rachaduras e precisam estar bem encaixados naquelas peças. Verifique também as conexões dos fios de bobina, principalmente se forem do tipo atual com encaixe tipo baioneta. Se estiverem folgados ou esbranquiçados (oxidação) a eficiência do sistema de ignição diminui, podendo provocar falhas de funcionamento do motor.

Conexões na bobina de ignição

Cabo da bobina de ignição

Retire a tampa do distribuidor e verifique se os contatos internos não estão oxidados, com zinavre, inclusive a ponta do rotor ("cachimbo"). Para limpar, passe uma lixa nos contatos. Aproveite e acione o rotor com a mão, para ver se ele pode girar um pouco no sentido horário, contra uma pequena resistência de mola, para retornar à posição original quando solto. Dessa forma, sabe-se que o sistema de avanço centrífugo está funcionando corretamente. Se o avanço estiver emperrado, o distribuidor precisará ser desmontado para limpeza e lubrificação.

Tampa do distribuidor

Agora é omento de verificar o estado das velas de ignição. Comece retirando-as (com chave apropriada) com o motor frio. Depois de soltá-las em cerca de uma volta, limpe com um pincel em volta de cada uma para remover sujeira ou poeira acumulada nos alojamentos, para que não caiam dentro dos cilindros. O ideal para isso é utilizar ar comprimido. Em seguida retire-as completamente.

Chave para se retirar as velas

Faça uma limpeza em volta das velas

Num primeiro exame, veja se os eletrodos ainda se encontram err condições, isto é, se não estão arredondados, o que significa ter a vela chegado ao final de sua vida útil. Nesse caso, devem ser trocadas. Mas, se não for esse o caso, a vela pode ser reaproveitada sem problemas, desde que limpa e recalibrada.

Estado dos eletrodos

Para limpar, basta remover os depósitos de carvão com uma ferramenta ponteaguda, com cuidado para não quebrar a cerâmica isolante que envolve o eletrodo central. Com pano, limpe bem a cerâmica externa, pois a umidade ali acumulada deixa a corrente soltar do terminal para o corpo da vela (é uma causa frequente de motores que não pegam bem quando frios). Agora é só regular a folga entre os eletrodos, que deve ser de 0,6 a 0,8 mm. Uma lâmina de serra serve como calibrador, caso você não tenha um jogo de lâminas-cálibre à mão.

Ao reinstalar as velas, faça-o inicialmente com a mão, e sem forçar, para evitar danos à rosca do cabeçote. Depois que a vela tiver sido rosqueada por varias voltas, use a ferramenta. Após encostar no fim da rosca, dê um aperto leve. Caso se tenha um torquimetro à mão, apertar com 2 a 3 kgf.m ou 14 a 22 lb-pé.

Reinstalado a vela

3) Refrigeração -- verifique todas as mangueiras do sistema de refrigeração, até aquelas chamadas auxiliares, como aquecimento do coletor de admissão e do aquecedor (ar quente). As mangueiras devem ser elásticas ao toque e não apresentar rachaduras ou trincas. Com uma chave de fenda verifique o aperto das braçadeiras, mas sem exagerar. A água no radiador ou no vaso de expansão deve estar clara e sem cor de ferrugem. Se não for o caso, é conveniente trocar a água toda, adicionando depois o aditivo recomendado por cada fabricante ou simplesmente etilenoglicol.

Verifique as condições das mangueiras e...

...o estado do líquido de arrefecimento

Não se esqueça de conferir todas as braçadeiras

Examine com cuidado a correia do gerador/bomba d´água quanto a ressecamento, desfiamento e cortes. Se estiver em mau estado, troque-a. Estando boa, confira sua tensão (deve ceder 1 mm no trecho mais longo).

Correia da bomba d´água

Se for necessário, proceda ao seu esticamento, soltando a porca do esticador sobre o gerador (alternador) e movendo-o na direção que leve à maior tensão da correia. Em Fusca e Gol,com motor "a ar", o ajuste é feito por meio da polia regulável em distancia entre as faces do "V" da polia, retirando ou colocando as arruelas existentes para esse fim, após soltar a porca da polia. Menos arruela, mais tensa fica a correia.

4) Acessórios ao motor -- é cada vez maior o número de carros com direção assistida (hidráulica) e ar-condicionado. Esta direcão depende do funcionamento de uma bomba hidráulica, acionada por correia (trapezoidal) a partir do virabrequim. O ar-condicionado tem um compressor, que é acionado da mesma maneira. Portanto, suas correias precisam da mesma atenção dispensada à do gerador/bomba d'água, tanto em verificar seu estado como controlar sua tensão.

Correia "trapezoidal"

No sistema de direcao hidráulica, verifique o nível do reservatório segundo as marcas existentes, e adicione fluido se necessário (fluido tipo A), o mesmo usado nos câmbios automáticos. Aproveite e dê uma olhada nas mangueiras de óleo entre bomba e caixa de direção. Finalmente, a olhada geral quanto a vazamentos de óleo de motor, como cárter, tampa de válvulas e filtro de óleo, aproveitando para ver como está o nível de óleo.

Fluído da direção hidráulica

Nível de óleo do motor

É assim que, após uma tarde de sábado, o seu automóvel estará em condições de prestar um serviço ainda melhor e não precisará nem ter o capô aberto quando for reabastecer.

Regular o "ponto"

Regular o ponto, maneira popular de dizer "ajuste da avança inicial de ignição", requer um certo conhecimento e, nos motores com ignição eletrônica sem platinado, equipamento especial (lâmpada estrabascópica). Essa lâmpada torna a operação muito simples e rápida, com precisão. Como é difícil ter uma em casa, o jeito é usar outra metodologia de regulagem: a do ouvido e da sensibilidade.

Com o motor funcionando em marcha-lenta, e depois de soltar a fixação do distribuidor, permitindo que ele seja girado, vá movimentando bem devagar o distribuidor no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, que corresponde a avançar a ignição. Percebe-se que o motor vai aumentando a rotação, depois estabiliza e a seguir começa a ocorrer funcionamento áspero, podendo até haver ligeira diminuição de rotação. A partir dessa posição do distribuidor, gire-o de volta (sempre devagar) até que a aspereza desapareça, sem haver redução de rotação do motor. Fixe o distribuidor e saia para um teste. Se não for escutada "batida de pino" (detonação) em terceira e acelerando forte, entre 30 e 60 km/h, o ajuste foi correto. Caso contrário, atrase ligeiramente a ignição. Lembre-se que o movimento do distribuidor é sempre pequeno, em torno de 10 graus, o que representa 20 graus de movimento do virabrequim do motor. Portanto, um "toque de nada" mexe com o ponto em quatro ou cinco graus.

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