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Análise

 

Fórmula Ford 1600 (1981)

"Meu pai precisava de mim nos negócios em São Paulo. Ele não estava convencido da minha vontade de ser piloto e pensou que podia me convencer de desistir. Eu tinha ganho 13 das 18 provas do ano e já era o campeão virtual, mas abandonei até mesmo o Festival de Fórmula Ford para ajudá-lo. Fui numa época em que eu estava meio desiludido com o automobilismo. Eu queria ser auto-suficiente com os patrocínios, e, por isso, decidi fazer uma pausa. Fiquei no Brasil até o começo de 1982 sem sequer pensar em carros ou em competição."

Fórmula Ford 2000 (1982)

"Eu tentei abandonar a competição porque isso era muito importante para minha família, mas não consegui. Por isso, quando chegou fevereiro, eu vi que não podia continuar no Brasil enquanto a temporada estava começando na Europa."

Fórmula 3 (1983)

"Meu principal objetivo é ser reconhecido como um profissional e ser olhado como alguém que conseguiu alguma coisa. A Fórmula 1 é um salto muito grande da Fórmula 3 e eu precisaria de tempo para me adaptar. Tenho de ter uma base o mais sólida possível antes de fazer esta mudança, embora tenha muita experiência em karts. Posso ter apenas 23 anos, mas tenho tanta experiência quanto alguns pilotos que têm 30."

Teste na McLaren (1983)

"Ele é fácil de pilotar, com a direção mais leve que do meu Ralt de Fórmula 3. Tenho certeza que se tivesse feito mais voltas, baixaria meu tempo para 1min12s, até porque estava um pouco desconfortável, com a perna direita apertada, o que me tirou a sensibilidade no pé do acelerador."

Fórmula 1 (1984) - Toleman

"Sabia que não tinha ganho a corrida, mas havia sido ótimo para mim e para minha equipe e me sentia feliz, por isso acenei. Talvez tivesse tomado a liderança, batido cinco voltas depois e acabado com nada, mas creio que teríamos ganho. Foi fantástico. No entanto, a visibilidade estava muito melhor que no início, mesmo com a chuva caindo de novo. Não, o Ickx (diretor da prova) não deveria ter parado a prova, especialmente naquele momento em que as três primeiras posições estavam para ser definidas. Mas o que se poderia esperar? Afinal, este é o circo em que estamos. Eles não iriam deixar a Toleman e eu batê-los em Mônaco."

Fórmula 1 (1985) - Lotus

"Era minha segunda prova pela Lotus, a primeira pole. Durante o warm-up, quando ainda não tinha começado a chover, o motor estourou. Foi uma quebra repentina e violenta, que levou junto o câmbio e parte da suspensão. Era preciso refazer toda a parte traseira do carro nas poucas horas que restavam para a largada. Na hora da corrida, os organizadores tinham nos dado dez minutos extra de aquecimento para nos adaptarmos àquela chuva. Eu estava tão perdido naquelas condições, porque não fazia a mínima idéia de como o carro iria se comportar com tanta água, depois de ter saído do seco para o molhado com os depósitos cheios. Aí veio a largada, senti que estava tudo ok com o carro e fui embora." (sobre o GP de Portugal, a primeira vitória).

Fórmula 1 (1986 / 1987) - Lotus

"Para ir para a McLaren em 88, eu tinha que mudar a forma que os japoneses viam o Ron (Dennis). Eu já tinha feito eles irem para a Lotus, mesmo contra o Ron, que era o campeão. Venci o GP de Mônaco, a primeira de um brasileiro e da Honda, e tomei a decisão de não continuar na Lotus em 88. Comecei a trabalhar os japoneses. Nesta época eu morava na Inglaterra e, acabada a corrida, voltamos para Londres e fomos para o hotel onde estava o pessoal da Honda. Jantamos e conversamos até tarde. Eu fui mudando a imagem que eles tinham do Ron e, pouco a pouco, vendi a idéia da McLaren-Honda para eles, o que se concretizou nos meses seguintes. A Honda era a melhor solução técnica para a McLaren e o acordo também era bom para mim."

Fórmula 1 (1988) - McLaren

"Foi Deus quem me guiou naquela corrida. Algumas pessoas nunca terão a experiência que eu tive e não acreditarão em mim, mas estou relatando o que me aconteceu. Foi uma experiência maravilhosa esse contato com Deus. Esta foi uma corrida que vai passar para a história." (sobre o GP do Japão)

Fórmula 1 (1989) - McLaren

"Para mim ele não existe mais" (sobre Prost). "Quando cheguei lá, já estava tudo decidido. Eles queriam me desclassificar por qualquer motivo que arranjassem. Não interessavam os regulamentos ou qualquer outra coisa. Eles apenas precisavam de uma desculpa para o fazerem. Esta é a face política da Fórmula 1 atualmente e, especialmente, da FISA." (sobre a desclassificação do GP do Japão) "Esse foi um ano em que aprendi muito mais do que jamais poderia pensar que o automobilismo me ensinaria em termos de relacionamento humano, do que esperar no seio de uma equipe, e como encaixar tantas pressões extra competições."

Fórmula 1 (1990) - McLaren

"Acho que conquistei o título em todos os GPs, num trabalho longo, meu e de toda a equipe. Em 1989 fiz um campeonato bonito, mas perdi nas circunstâncias que todos conhecem. Foi vergonhoso. Por tudo que fiz este ano, ganhando mais poles, mais vitórias, mais segundos e terceiros lugares, acho que mereci o campeonato. É claro que eu queria ganhar aqui no Japão, diante dessa torcida maravilhosa, mas não aconteceu. Se eu tivesse largado na posição certa da pole, teria pulado na frente... Na minha opinião, eu tinha que tentar aquela ultrapassagem, e o Prost devia saber disso. Se fui leal? Claro. Eu cheguei naquele ponto da curva mais depressa do que ele e fui apenas para uma abertura por dentro, mas ele não abriu. Se ele não tivesse fechado a porta, nada teria acontecido pois teríamos feito a curva sem problemas... O fato de eu não rir é a minha forma de ser, mas estou muito feliz por dentro. Vocês não me conhecem de todo... Dedico essa vitória a todos os que me combateram. Eles me fizeram muito mal. Para eles, essa é demonstração de quem é o verdadeiro campeão mundial... O tri? Claro que é possível. Eu adoro ganhar, adoro pilotar carros e adoro bater recordes.

Fórmula 1 (1991) - McLaren

"1988 foi uma batalha de homens; 1989 e 90 foram batalhas psicológicas; 1991 será um desafio técnico. Essa foi uma vitória muito, muito especial, comparável à minha primeira na F-1 e à de 1988 no Japão. Nas últimas duas voltas, comecei a ficar zonzo. Sem freio motor, tive que fazer um esforço enorme para frear o carro no final das retas. Depois de receber a bandeirada de chegada, com a baixa velocidade e apenas a sexta marcha, o motor morreu e fiquei parado no circuito. Quando parou, senti dores tremendas nos ombros e de lado. Não sabia se ria, chorava ou gritava." (sobre a primeira vitória em Interlagos)

Fórmula 1 (1992) - McLaren

"A nova sofisticação eletrônica nivela os pilotos. Veja-se o câmbio: agora é impossível errar a troca de marchas, o que é um dos fatores de diferenciação. Não, não diminui o prazer de dirigir, pelo menos prá mim" (sobre a nova tecnologia). "Caso não tenha um carro competitivo, abandono por um ano até ter um equipamento que me permita disputar o primeiro lugar. Os riscos a que tenho me submetido por um 3° ou 4° lugares não valem à pena. Tenho tempo para pensar e decidir com calma." (sobre a temporada 93). "Prost recusa-se a competir comigo no mesmo carro. É duro, poderíamos até repetir as disputas de 88 e 89." "Achei-o relativamente fácil de pilotar. Um Fórmula 1 é muito mais duro."

Fórmula 1 (1993) - McLaren

"O que quero, acima de tudo, é voltar a pilotar, mas um carro competitivo, que me dê chances de ganhar, de lutar pelo título. Uma temporada tão estéril como a de 1992, que me deixou impotente, foi demais. Quero ser competitivo." (sobre as expectativas para 93). "É um sonho tornado realidade. Frank foi o primeiro a me dar uma chance na Fórmula 1, em 1983, e agora estamos, finalmente juntos."

Fórmula 1 (1994) - Williams

"Gostaria de ir a Interlagos mais tarde, com o carro já mais desenvolvido". "Ímola será o início do campeonato para nós". "Antes de começar, gostaria de mandar uma mensagem especial para meu amigo Alain Prost: Alain, meu caro amigo, sinto saudades tuas." (à TV francesa, antes da largada para o GP de Ímola). "Não estou com bom pressentimento, e, se pudesse, não correria." (antes de largar em Ímola). "O meu carro é difícil de conduzir, é nervoso. O circuito é escorregadio, é perigoso, faltam escapatórias." (antes de sua última prova, 1° de maio de 1994).

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